Como Desenvolver o Teu Negócio de Canábis: 8 Visões do Mestre Cultivador Shlomo Booklin

Que conselhos tem o Mestre Cultivador Shlomo Booklin para os negócios de canábis que procuram crescer?

Existem muitas nuances que concordam com o cultivo comercial de canábis mas também não é diferente de outros produtos agrícolas. Então quais são as dicas para desenvolver o teu negócio de canábis que o teu consultor de canábis pode não te contar?

O Mestre Cultivador Shlomo Booklin tem as respostas para estas questões da indústria de canábis que vais querer considerar enquanto escreves o teu plano de negócios de canábis e os PONs de canábis (Parte 1, Parte 2).

Visão 1: Alta Qualidade vs Regulamentos

GrowerIQ (GIQ): Comparando tipos de cultivo, existe algum beneficio de cultivar um grande volume de canábis com menos qualidade versus cultivar canábis de alta qualidade (qualidade vs quantidade)?

Shlomo Booklin (SB): No Canadá, existe um mercado recreativo e um mercado medicinal, ambos têm que seguir os regulamentos da Health Canada em termos de qualidade e outras normas. Então não existe “baixa qualidade.”

O mercado torna-se cada vez mais competitivo e enfrenta guerras de preços e existem sempre variedades que vendem melhor e outras. Contudo, não houveram muitas mudanças desde o Adam Smith e a regra do mercado, sempre foi a demanda e abastecimento.

Existe claro a “economia de escala,” e o custo de produção por unidade é mais baixo por unidade se produzires muitas unidades. No entanto, se o mercado não estiver em grande demanda ou se a qualidade não estiver a atingir o padrão, a tua perda será ainda maior. Eu trabalho com um excelente e grande produtor; ele produz cerca de 1,000 kg por semana! É de muito boa qualidade! Mas ele não pode vendê-la se houver pouca demanda, os seus preços (incluindo 300 trabalhadores) são muito altos.

Visão 2: Planeamento e Eficiência Aumentam o Rendimento

GIQ: Que coisas é que os cultivadores podem fazer para aumentar o rendimento (sem contar com o cultivo de estirpes de canábis de alto rendimento) para melhorar o seu negócio de canábis?

SB: Bom planeamento e eficiência são fundamentais. Uma instalação de produção agrícola moderna deve operar como um aeroporto. Assim que o avião aterra, uma equipa treinada sabe como retirar as bagagens, outra equipa está a abastecer o avião. uma terceira equipa está a limpar e outra equipa está no outro lado do aeroporto a lidar com os passageiros que entrarão no avião. Dentro de uma hora, o avião pode partir para outro destino. A equipa sabe que às 11:45 existe um voo K.L.M, às 11:48 existe a Air Canada, às 11:50 existe a Air France, e assim por diante.

Se um cultivador tiver uma equipa para a sala principal e propagação, uma equipa de cultivo, uma equipa de colheira e uma equipa pós-colheira, a instalação de produção pode trabalhar assim. Sabemos quando a sala 1 precisa de ser plantada, quando a sala 2 precisa de ser colhida, quando desfoliação é necessária na sala 3, quando o desbaste é planeado na sala 4, e assim por diante. Eficiência semelhante pode ser alcançada.

Visão 3: Reduzir os Custos ao Reduzir o Desperdício

GIQ: Manter os custos de cultivo baixos é sempre ideal para um negócio de canábis, quais são os pontos onde os cultivadores podem poupar mais e reduzir o desperdício? Quais são algumas coisas onde os cultivadores não devem tentar diminuir os custos?

SB: Claro que tornar padrões de qualidade uma grande parte da produção vai ajudar os cultivadores a manter um fluxo financeiro positivo. Muitos cultivadores (especialmente no Canadá) perdem 15% ou mais das suas plantações de canábis se não cumprirem os padrões de qualidade na sua produção.

Isto é maioritariamente devido à humidade que depois se torna em bolor. Na minha opinião, também se deve à forma como o produto é secado, muitos cultivadores também escolhem irradiar e passar a maioria do produto sobre radiação de gama. Esse processo mata qualquer bactéria, no entanto, também destrói os terpenos e na maioria dos países europeus não é permitido.

Cerca de 55% do custo da operação é mão-de-obra, ter um bom planeamento e um trabalho eficiente reduz os custos.

Muitos cultivadores “abusam” de fertilizantes, cultivadores devem saber o que as plantas necessitam em termos de fertilizante e dar a quantidade certa. Se deres uma quantidade excessiva de fertilizante à planta não a vai fazer crescer mais rápido. Irá provavelmente abrandar o crescimento e desperdiçar nutrientes.

O enriquecimento de CO2, é outra área onde vejo desperdiço. Os cultivadores devem saber e compreender a biologia da planta, as plantas não usam CO2 durante a noite, então para quê dar CO2 às plantas durante a noite quando elas não o usam?

Bons cultivadores têm 4-5 ferramentas ao seu dispor, temperatura, iluminação, humidade, água/fertilizante e CO2. Um bom cultivador deve saber qual a melhor maneira de usar estas ferramentas.

O nosso trabalho como cultivadores é “imitar” a natureza e dar às plantas as melhores condições para que elas alcancem o seu melhor potencial. Saber que a condição “natural” é uma parte integral de ser um bom cultivador, se não sabes o habitat natural da planta, como podes “imita-lo”?

Visão 4: Planeamento vs Tendências de Canábis

GIQ: Quais são algumas das estirpes de canábis com melhor rendimento para um negócio usar?

SB: Como disse anteriormente, há mais que estirpes e rendimento para o sucesso. Uma das estirpes mais fáceis de cultivar é a Nordel, essa estirpe quase não é afectada pela Oídio (um dos fungos mais comuns no cultivo de canábis). No entanto, esta estirpe não é muito utilizada devido ao seu THC relativamente baixo e as tendências do mercado estão mais viradas para um conteúdo alto em THC.

Os cultivadores também devem saber as tendências de mercado e serem rápidos na sua reacção às mudanças das tendências do mercado. Na maioria dos casos, esta pode ser a parte mais difícil. Pode demorar 6-8 meses desde o momento que um cultivador decide nas estirpes que querem cultivar até que esse produto chegue ao mercado. Tendo em conta o tempo que demora a estabelecer as plantas-mãe, cortar, propagação e cultivo, colheita, etc., como é que um cultivador “sabe” que estirpe vai ser popular em 6-8 meses?

Então para além de todos os desafios do cultivo, o marketing e as vendas são igualmente importantes. Por essa razão, eu trabalho maioritariamente com a canábis medicinal. As estirpes são muito mais estáveis, algumas têm estudos e/ou ensaios clínicos que podem certificar a sua eficácia e/ou dosagem de uma estirpe em específico para uma condição médica específica.

Estudos feitos em Israel são maioritariamente focados nesse aspecto da canábis medicinal. Os cultivadores são encorajados a dar alguma da canábis que produzem e “doar” aos hospitais e pensões e recebem em troca “validação” na dosagem e eficácia. No entanto, existem muitas estirpes com um maior rendimento, sim.

Visão 5: Pensa Internacionalmente e Não Te Esqueças das Vendas e Marketing

GIQ: Existem algumas considerações importantes que vês que sejam deixadas de parte num plano para um negócio de canábis?

SB: Vendas é algo que vejo sempre. Ninguém presta muita atenção ao elemento essencial, o que eu nunca percebi…

Nós falamos de um enorme investimento, planeamento a longo prazo e mesmo assim as pessoas pensam que a produção é o “objectivo final”, bem não é! Venderes o teu produto e ter um fluxo financeiro positivo, como qualquer outro negócio é o objectivo principal.

O Canadá acabou por ser o primeiro país G7 que permite a canábis medicinal e mais tarde também a recreativa. Contudo, o Canadá é sem dúvida um local inapropriado para cultivar canábis. Igualmente, também não cultivamos bananas nem mangas aqui. 7 meses do ano é inverno, o custo de mão-de-obra está entre os mais altos.

Como disse anteriormente, se 55% do custo da produção é mão-de-obra e para além disso as questões de segurança e problemas meteorológicos, o Canadá é claramente um local inadequado para o cultivo. Os acordos de trocas internacionais e superar os ambientes restritivos em relação a mover “substâncias de controlo” irão mudar o panorama onde será melhor cultivar Canábis e o Canadá, apesar do tamanho do seu mercado, não será o “centro” para sempre. A Colombia tem uma boa chance de preencher essa vaga.

GIQ: Existe alguma coisa que torna cultivar canábis e um negócio de canábis no Canadá único de outros lugares de cultivo (em relação aos métodos e instalações de cultivo)?

SB: Os regulamentos no início dos licenciamentos no Canadá e o facto que muitos cultivadores vêm de sociedades “ocultas” ou mercado ilegal, fizeram com que a primeira e segunda geração de [licensing] aplicantes escolhessem a produção “interior”. Enquanto os regulamentos relaxam, a terceira geração de [licensing] aplicantes mudaram para as estufas pois são muito mais económicas.

Falta de conhecimento das BPAC e saber que um cultivador também pode alcançar esses padrões com uma configuração numa estufa fez com que cada vez mais cultivadores mudassem para uma configuração de estufa.

Também existe uma falta de conhecimento que, como outras plantações, a canábis não é um produto agrícola e se um cultivador pode cultivar tomates numa estufa, então porque não canábis?

Isto não é para dizer que o Canadá é o melhor lugar para cultivar a uma escala comercial. Na minha opinião, a Colômbia é o melhor local – se o governo local de lá será inteligente, ainda temos que ver.

Visão 6: Prepara-te para Competição

GIQ: Porque é/não é um bom momento para começar um negócio de canábis? Existe algum tipo de negócio de canábis em especifico que é mais procurado (cultivador, processador/extractor, distribuição, vendas, etc.)?

SB: Como foi dito anteriormente, a pressa para a produção pode criar sobreprodução e muitos cultivadores estão a reduzir as suas instalações de produção. Como foi dito, Israel lidera o estudo para encontrar estirpes que são relacionadas a sintomas. Enquanto se faz mais pesquisas e mais canabinoides são descobertos (CBN, CBG) e as novas formas de entrega/dosagem são desenvolvidas, cada vez mais aspectos e usos da canábis emergem e isto estará na frente da indústria.

Demorou 15 anos após as “proibições” do álcool para as empresas dominantes começarem a ser procuradas…Cada país tem algumas cervejas e algumas das grandes empresas têm uma presença internacional (Corona, Heineken, Carlsberg para mencionar algumas) Nos primeiros anos [of canábis legalization], várias empresas tentaram entrar no mercado, hoje restam poucas.

Visão 7: Tendências Futuras da Canábis

GIQ: Onde pensas que os negócios de canábis estarão daqui a 5 anos?

SB: Eu acho que o mercado recreativo será cada vez mais sobre a experiência do que a variedade que oferece ao utilizador. Isto é, as pessoas vão prestar mais atenção ao que sentem com qualquer das estirpes, o que será a norma, ao contrário de “ficar pedrado.”

Na parte medicinal, como foi dito anteriormente, cada vez mais ensaios conseguirão “localizar” exactamente a estirpe e a dosagem para condições específicas. Também vemos isto a acontecer agora.

Como eu disse anteriormente sobre os “baby boomers,” de um mercado que era 90%+ de flor seca, estamos agora à volta dos 60% de flores secas e 30%+ usando óleo de canábis. É uma previsão que indica que dentro de 5 anos, o mercado estará à volta dos 70% óleo e 20% de flor seca, ainda mais na Europa.

Adesivos e gotas sublinguais serão cada vez mais dominantes. Acessórios para a dosagem também serão a melhor “coisa de sempre.”

Muitas pessoas prevêem que a maioria da Europa vai seguir os passos do Canadá e pouco depois de aceitar a canábis medicinal, a procura da canábis recreativa vai forçar os políticos a mudar o regulamento.

Todavia, eu não concordo. Em destinos turísticos como a Grécia, Portugal e algumas partes da Espanha (Barcelona, Ibiza etc.), as autoridades vão considerar inútil prender ou cobrar qualquer um com um “charro.”

GIQ: Como é que o negócio de canábis mudou nos últimos três a cinco anos?

SB: Como a canábis se tornou cada vez mais recreativa, as estirpes com maior THC parecem ser mais conhecidas, quanto mais alto melhor. Depois do Charlotte Figi e a descoberta do valor do CBD, cada vez mais estirpes com CBD apareceram no mercado e a combinação de THC/CBD começar a ser muito procurada. Agora olhamos para a CBN e CBG como as próximas “estrelas.”

Visão 8: Equipa e Consultores

GIQ: Tens algum conselho para um negócio de canábis novo que está a considerar trabalhar com um consultor para o cultivo e propósitos regulamentares?

SB: Claro, Primeiro, identifica o mercado! E EU-BPF! Parece que a maioria dos países (maioritariamente na Europa) têm alguns elementos em comum.

Ao ver a demografia da Canábis nos dias de hoje, alguns factos chamam a atenção.

60% e mais dos consumidores estão na faixa etária dos 55 aos 60+, podemos dar o nome de “geração baby boomers.” Todos os nascidos entre 1950 e 1960, europeus assim como americanos e canadenses, têm um grande sector da população nessa faixa etária (outra razão porque o COVID-19 foi tão mortal nestes países). Esta demografia não usa canábis para ficar “pedrado”, mas sim porque têm dores nas articulações, nos ossos, nas costas etc., ou até sintomas crónicos mais graves e precisam de algo que alivie o seu sofrimento.

Eles sabem que a canábis não é “trabalho do diabo” e já estiveram no “Wookstock” se não fisicamente, então mentalmente e são mais cínicos na sua visão da indústria farmacêutica. Então têm uma mente mais aberta para experimentar algo menos prejudicial, como foi dito 60% e mais dos consumidores de canábis estão nesta faixa etária.

“Women’s health” é outro grande mercado, desde lubrificantes para as dores menstruais, por razões semelhantes, Então, não é necessariamente relacionado ao cultivo, mas em vez de desenvolver um produto, ter ensaios clínicos para provar as descobertas com uma validação geral enquanto cumpre os padrões de qualidade.

GIQ: Em que momento do começo de um negócio de canábis é que uma empresa deve contratar um Mestre Cultivador? Em que momento deve contratar um Gestor de Qualidade?

SB: Semelhante ao que está em cima, a GQ é obrigatória na maioria das aplicações no cultivo de canábis (no Canadá). A respeito de contratar um “mestre cultivador”, pessoalmente não entendo esse “título respeitoso.” “Chefe Cultivador” é o suficiente…Entretanto, alguém com um contexto agrícola e conhecimentos básicos do cultivo comercial e da habilidade de seguir os regulamentos exigentes podem preencher essa posição.

Já trabalhei em estufas onde produziam milhões e milhões de plantas sem um “mestre cultivador.” Conhecer o teu mercado e ter o pensamento EU-BPF como parte da tua produção vai levar-te a contratar a pessoa certa para preencher estas posições.

Como nota pessoal, já conheci imensos “mestres cultivadores” que cultivaram canábis a sua vida inteira. Mas são muitas vezes “demasiado teimosos” para aceitar outros métodos de cultivo e cumprir os regulamentos não é (respeitosamente) “o seu estilo”…Contudo, se cultivas de uma certa maneira durante 20 anos, é difícil mudar um hábito. Eu costumava dizer que o mercado de canábis é um casamento entre a “Silicon Valley” e “Hell’s Angels.”

Empresários da “Silicon Valley” juntaram-se aos cultivadores “ilegais” e criaram grandes empresas com dinheiro de outras…Não admira que muitas empresas acabam por ser um “fiasco” e até mesmo uma “fraude.”

Conclusão nas Visões de um Negócio de Canábis

Não é fácil criar um negócio de canábis bem sucedido no mercado altamente competitivo da canábis, especialmente entre um fornecimento que não é ideal e um ambiente muito procurado. Com estas visões do Shlomo Booklin, esperamos que possas levar contigo algumas dicas para ajudar o teu negócio de canábis. Também é importante ter em mente que a canábis é um produto agrícola e os trabalhadores devem ter um contexto profissional que pode apoiar as tuas necessidades de cumprir os regulamentos e funcionar como um negócio agrícola que está a produzir uma planta medicinal.

Descobre Mais

Vamos discutir sobre o teu projecto para podermos personalizar um plano abrangente para te ajudar a tornar um produtor licenciado. Descobre mais no resumo do nosso programa Sementes para o Sucesso.


Soluções para Sementes para Venda



Recomendado Para Ti



Sobre a GrowerIQ

A GrowerIQ é uma plataforma de gestão para o cultivo de canábis completa, desenhada em parceria com o Mestre Cultivador, Shlomo Booklin. A nossa é a primeira plataforma que integra os sistemas das tuas instalações, incluindo sensores, controlos do edifício, SGQ e PRC numa simples interface.

A empresa construiu visões da experiência agrónoma de 30+ anos do Shlomo para criar a plataforma. A GrowerIQ potencia tecnologia de aprendizagem de máquinas confidencias para melhorar a automação da instalação e fornecer aos cultivadores visões para melhorar a qualidade e consistência. A GrowerIQ está a mudar a forma que os cultivadores usam softwares – transformando um requisito regulamentar numa plataforma sólida para aprender, analisar e melhorar a performance das plantações.

Para descobrir mais sobre a GrowerIQ e como te podemos ajudar, completa o formulário à tua direita, começa um chat ou entra em contacto connosco.

Começa hoje.

Diz-nos como te podemos contactar e entraremos em contacto para discutir o teu projecto.

A GrowerIQ não partilha, vende, arrenda ou troca informação pessoal identificável com terceiros para propósitos promocionais. Política de Privacidade